Translate

Thursday, March 03, 2011

Tuesday, March 01, 2011

Antagonismo

Se é verdade que a vida é o que

queremos dela.
Se é verdade que o sal é o acucar que
desejamos.


Entao onde esta esse espelho que persigo
ate quando sonho; ate quando bebo um café
à esplanada?
Onde esta esse quadro surrealista, onde me desejas
na intercção geometrica da minha boca com as tuas mãos?
Esse borrão de cor, um vermelho de paixão violento que
até envergonha as aguarelas?
Onde esta a desordem do mundo e a claridade
dum sexo sem sentimentos?
A pele so como pele.
A carne como carne que
é.

Invarialmente, a resposta surge no impressionismo
do meu Amor.
Porque ha demasiado vento no meu olhar.
E as minhas mãos perdem-se na tua voz,
Antes de ouvirem o que o teu corpo tem para
me gritar.

Tuesday, February 22, 2011

Some Kind of Monster

Am I some kind of monster?



Ensinam-nos na escola que o Monstro é aquele ser devasso e horrendo. Acorrentador de consciencias. Que o Monstro é o vilão e que a maldade lhe nasceu como nos nasce o Amor.
Mas a minha consciencia estava acorrentada à Liberdade.


Am I some kind of monster?


E eu sempre lutei contra esses acorrentadores de monstros. Pobres almas fechadas numa aparencia pestilenta. Presos naquela necessidade ancestral de que é preciso um vilao. Porque sem viloes nao há herois.


Am I some kind of monster?


E Amo os Monstros como nao amo as pessoas. Ha quem prefira os animais. Outros preferem as pedras. Eu sempre perdi o coracão por Monstros. Eles sempre deram o coracão por mim, Eu sempre fui a razão pela qual eles matam.


Am I some kind of monster?


Mas de quando em vez, o vento sopra. E eu vou com o vento, acorrentada à minha Liberdade. E há um monstro que chora.
Na suavidade da noite, o machado perde a fogosidade da Morte.


Am I a person? Or just some kind of monster?



Tuesday, February 15, 2011

Nao ha vida sem Amor.


“Ele é ele. E ela é ela.”



Para que fazer do amor uma invencão dos tempos modernos? E de nós maquinas compreensivas capazes de perdoar?


Hoje o amor serve-se com doses de adrenalina curtas. Quando acaba, despegamos uma mão de um corpo e ligamos a outro. Quando acaba. A pessoa que estava na nossa cama, passa a estar na outra, ali a outra do lado. E nos levantamo-nos, compreendemos que o amor acabou e lavamos os dentes.


E em cima da mesa estao dois comprimidos: um para o amor, outro para a vida. E cheios de nós, tomamos a vida para poder amar.


Quem me dera dizer-te que nao sou um esquilo como tu. Que o teu amor é tao falso como a minha pele que pedi emprestada para poder espreitar o teu mundo.


Se ao menos compreendesses. Abro-te a boca devagar, sem que percebas e deposito-te a vida no estomago, porque nao quero que sofras.


Mas tu nao és hipocrita como eu. E porque me amas, vomitas para cima de mim.
Nao ha Vida sem Amor.

Wednesday, February 02, 2011

O Cavaleiro da Dinamarca

Era alto forte e loiro
tão loiro que envergonhava o sol
no seu sorriso sentia-se a tristeza
nos seus olhos lia-se a alma.


(lia-se a alma ou o coração?
o coração batia na alma,
alma grande que cabia no coração!)


estendeu-me a mão que eu agarrei
admitindo o medo de fracassar
e ele ajudou-me silenciosamente
não deixando apenas, a solidão ganhar...


Sabia que ele tinha vindo de longe
sabia-o porque ele me viu...
quem está perto de mim não me vê.
E eu via-o porque ele estava longe
e sabia que ele se ia embora
se não, ficava perto...


Nunca soube o seu nome
e apesar de não ter uma espada
salvou-me, vindo do nada
o Cavaleiro da Dinamarca.


(Alice - 2000)

Monday, January 31, 2011

O Fim da Monogamia

Que pessoa desarrumada eu sou! Sempre a minha roupa espalhada pelo chão. Sempre a pôr as coisas erradas nas gavetas erradas.
E tu a dizeres que o casamento se deve guardar como deve ser. Que se deve arrumar todos os dias, dobrar decentemente como uma camisola. Que perfuma o ar, como te perfuma a ti. Um ser limpo de sentimentos tratados.
Mas eu sempre gostei da minha roupa, nao da forma como a trato. E, sejamos sinceros: nao preciso dela limpa, preferi sempre o perfume da noite e os últimos restos de vida que por ali ficam.

Por isso, se queres construir uma relação, nao lhe chames Amor.
Porque Amor nao se cuida, nem se trata nem se retira da monotonia dum sexo interminável a dois.
Aonde tu guardas o Amor, eu guardo o Sexo de Amizade. Onde guardas a Amizade, eu nao guardo nada. Onde tu nao pões nada, ponho eu a Amizade. Esses eternos espaços vazios da casa, preechidos pelas frestas de luz dancante.

Temos um problema de arrumação, temos efectivamente um problema de etiquetagem de gavetas.
E eu sou quem mais sofro, quando chego a casa a horas de jantar e tropeco nas cuecas que deixei no chão da cozinha. Que merda, penso tantas vezes, nao era aqui que eu queria viver.
Que bom seria chegar a casa e ter a loiça limpa e entrar num duche, onde as toalhas cheiram a maresia – o perfume que compraste no supermercado do bairro.
Que bom seria, chegar a casa e ter-te na cama, saber que ali se deita um abraço para os meus ombros mutilados com a permanente tatuagem da morte.
Mas sexo algum se mantém por companhia. E por isso, com os pés presos nas peças de roupa espalhadas e as mãos gordurosas da banca da cozinha que nunca limpo, lembro-me do tempo que gastas a arrumar pateticamente as camisolas nas diferentes prateleiras.
Um dia, vais-te ver a arranjar solucões novas, para acender a chama que se foi esfriando e encontraras mais uma pessoa na tua cama. Esse menage a trois excitante que te lembra que a vida ainda vale a pena – e ao menos podes continuar a planear férias e a fumar à janela com aquela que escolheste para a vida toda.

Porque afinal, o Amor nao dura para sempre.
Mas isso nao é Amor.

Talvez devesses ser monogâmico a espacos desconexos. Mas isso era ter a casa toda desarrumada e tu nao consegues viver sozinho.

Eu prefiro Amar.

Monday, January 24, 2011

A menina dos Fósforos

A porta fechou-se contigo e levou a luz atrás. Como se as lâmpadas tivessem sido sugadas pelo saco que se arrastava na tua mão. E foi a ultima coisa que vi, nesse breve clarão de luminosidade, antes da porta ter assente no trinco e o som ter ecoado na caverna do meu corpo.


 Era Inverno, em Svalbard. E na minha pequena casa enterrada em neve, a luz do sol chegava durante uns magros minutos que batiam no relógio de cada dia. Mas os meus olhos já estavam tão habituados à escuridão que aquela pequena franja de radiação difusa que clareava o ar por entre a camada espessa de nuvens, me fazia arder as pálpebras. Na maioria dos dias, nem sequer acertava com essa hora de luz, a dormir enroscada nas mantas quentes e na beira da lareira.

Deixaste-me uma caixa de fósforos em cima da mesa. E eu que nem precisava deles.
Um dia, enterrada na escuridão do mundo, resolvi acender um e vê-lo prontamente morrer-me nas mãos.
Passei a usá-los para desenhar amores. Amores que minguavam e se extinguiam até se misturarem com a escuridão do presente e a humidade do musgo que me ia crescendo no coração.

E foi quando finalmente a caixa acabou e o Inverno descongelou as árvores e as plantas, que eu saí da manta velha e carcomida, despeguei as minhas pálpebras coladas e que me afundei serenamente no lago que banhava as traseiras da minha casa.

Porque nunca tu exististe.
Foi só um fósforo esquecido no chão que criou uma ilusão a que eu chamava de vida.