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Wednesday, July 22, 2026

Substack da Andromeda


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Apesar de o blog ter terminado, continuo a escrever no Substack! Se gostas da minha escrita, segue e subscreve!

Friday, July 04, 2025

Futebol

Não sou escritora. Nem nunca serei.
Não manobro as palavras como os escritores,
Não as sei driblar como os putos driblam
a bola de futebol.
Eu chuto as palavras com força. Nunca me chega o golo,
eu quero é rebentar com as redes da baliza,
até que não haja nem jogo, nem jogadores, nem
palavras para serem dribladas.

Tuesday, September 17, 2024

I like the way you kiss me

Gosto da maneira como me beijas
Como se me quisesses engolir inteira,
Como se eu tivesse alguma coisa cá dentro
que tu precisas
E nem é que gostes muito de mim, mas estás
desesperado.
Perseguem-te essas vozes, as sereias do Ulisses,
a morte que te beija devagarinho.
E nem é que eu goste muito de ti, mas estou
desesperada.
Já não oiço vozes e eu sou o Ulisses, a morte
não me seduz.
Só tenho é medo de não ter nada cá dentro.

Thursday, September 12, 2024

A livraria da minha cidade é pequena

A livraria da minha cidade é pequena, mas eu vou lá todos os dias. A estante dos livros de poesia é ainda mais pequena, quase mais pequena do que a tenho em casa. E eu já li os poemas do Fernando Pessoa, do Miguel Torga, do Eugénio de Andrade e da Sophia. O livro do Bukowski que tenho em casa, vou lendo todas as noites. Abro as folhas ao calhas e vejo os poemas que me escolheram. Não gosto de ler livros por ordem, nunca gostei também de ouvir álbuns pela ordem certa, prefiro a estrutura de não saber o que vem a seguir.
Todos os dias vou á livraria com a esperança de que algo novo apareça e me encante. Como o poeta que esperava pela fada Oriana para lhe encantar a noite. Assim sou eu, um poeta à espera de outros poetas que me lavem os vidros da frente da vida. Na maioria dos dias, volto de lá tão pequena como as estantes. Noutros, as mãos tremem-me quando lá entro. Herdei um sentido subtil da minha avó, para perceber as micro mudanças que as asas das borboletas começaram a milhares de quilómetros de distância. Nesses, os olhos comem ávidos as letras escritas por alguém que me salva o dia. A semana. Quem sabe até o mês. É o mesmo com as músicas. Não me deixam morrer. E não é porque me salvam da morte, é porque me fazem sentir viva.

Tuesday, August 27, 2024

Estrela cadente

Gosto de ouvir os grilos à noite, no campo.
São como a música da noite,
o som a escorrer debaixo do céu de estrelas.
Como naquela noite em que me deitei na relva fresca,
conectada com a humidade da vida,
passou uma estrela cadente e eu senti os meus olhos
molhados.
É isso que eu quero, uma existência única.
Somos todos únicos, eu sei.
Mas eu quero essa consciência concreta, exímia.
Vivemos a espremer a vida, a coletá-la dos orvalhos
que vamos encontrando. As fodas, as montanhas-russas.
Aqueles momentos de desespero em que tudo nos foge.
Eu nem cheguei a pedir nenhum desejo.
O desejo era que me passasse uma estrela cadente.

Sunday, August 25, 2024

Sim

Quero dizer-te que sim.
(Quero!)
Afundar-me numa cama de penas contigo.
Tocar com a ponta dos dedos na mais
volumosa das nuvens.
Fazermos amor na areia.
Beber os gritos da borboleta.
Ver-te gritar como uma borboleta
que só desabrocha nas nuvens que eu
toco.
Eu quero isso tudo.
Mas quero, acima de tudo.
Dizer-te que sim.
O não está-me cosido nos lábios.
E tapou-me a pele com uma gigantesca
tatuagem, que me faz mais disforme
que a cara mais feia de Paris.
E por isso eu não quero as borboletas,
Nem o teu corpo suado a esporrar-se.
Eu quero é ser o Sim.