É bom realizar os nossos sonhos. Mas igualmente bom é voltar e poder pensar que os realizámos. É bom poder sentar aqui, na minha secretária e escrever ( porque ao escrever sinto). Relembro agora o post em que falei da viagem a Londres da minha irmã. Foi disso que me lembrei quando a semana passada entrei no avião com destino a Barcelona. Tantas vezes tinha pensado naquele momento que parece que já estava gasto. A felicidade que se sente em viver o que se anseia há muito tempo é tão forte que quase não a sentimos. Pensamos demasiado nela para a sentirmos. Depois sim, vêem as descobertas. Os sítios que não conhecemos, as pessoas diferentes, a vida que se altera de maneira exuberante. Tudo aquilo que sempre quisemos, mas que não sabiamos definir. Essa felicidade sente-se porque é exporádica, vem a soluçar durante todo o caminho.
Foi assim Andorra. As montanhas, o sky, o sol entalado numa paisagem que nunca tinha cheirado. Foi assim a neve a cair-me nos ombros, a rodear-me. Foi assim o som de várias línguas que se falavam. Foi assim o nosso apartamento (" é que não cabemos mesmo!"), as nossas refeições, os risos, a vista da janela de manhã.
É por isso que quando chegamos sentimos uma tristeza enorme. Porque quando a definição do que sempre quisemos se aproxima, temos de ir embora. Quando já estava habituada aos soluços da minha felicidade, o avião voltou para Lisboa. A parte boa, é que uma vez a descer a montanha só se pára quando se está cá em baixo. Sinto que o Mundo é meu.