Não quero peso na minha consciência.
Sou uma pessoa livre. Naquele dia, enterrei o livro no fundo da alma. E deixei que partisses.
Deixaste este mundo então. Aparentemente continuas vivo, mas eu vi-te morrer naquela tarde. Juntamente com o livro que foi soterrado na mala, debaixo de camisolas e sonhos.
Talvez continues vivo noutro Mundo, quem sabe. No meu morreste. Que é o mesmo que dizer que ignorei a tua morte, depois sofri por ela e por fim resignei-me à ausência que me infligiste.
Hoje, diluída no tempo a tua memória é apenas uma lápide. Um local de peregrinação que o meu cérebro percorre quando lá no fundo tem saudades da alma que porventura eu amei.
Não há remorso. Não há pena.
Escolheste. E morreste. Enterrar o livro foi a única troca possível no meu Mundo.
E por isso não cultivo peso na consciência.
Nunca mais.
(Lisboa, 15 -02 -09 )