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Monday, May 20, 2024
Devaneio
Saturday, May 11, 2024
O problema da minha vida
Tudo o que não é absolutamente Tudo
é demasiado pouco.
Tuesday, April 30, 2024
A valsa da minha vida
O fado da minha vida é uma valsa. Uma valsa que foi escrita para outros, que não para mim. Mas que eu danço, danço, danço. Com uma alegria tão grande e uma vontade de ver o bom tão grande que sou a mais ridícula de todas. Vezes houve em que achei que o fado mudava. Que não era a valsa que eu ouvia. E que antes, uma música nova em folha, brilhante como folhas em dias de aguaceiro, se fazia ouvir em todo o lado. A maior ilusão de toda a vida, é esta mania que temos de ver o bem. De pintar de azul por cima de tudo o que é vermelho. Não é. Não é. Nunca foi. Nunca será. Deixemos esta verdade entranhar, perfurar a nossa pele e entrar diretamente nas veias. Só aí, com a verdade a circular no sangue, saberemos. E aí, os holofotes abrem-se no seu esplendor branco. O branco tem nele tudo, todas as cores com que pintas a vida. E aí, o chão duro, de mármore polido e limpo abre-se como uma paisagem. Para eu dançar a valsa. De braços abertos, a valsa é o meu fado. E eu estou nua, ridícula. Todos se riem. E eu também me rio, porque sou ridícula. E danço, danço, de braços abertos. Nua. Todos se riem de mim, todos se riem de mim, eu também me rio de mim, porque sou ridícula… E choro, uma última vez.
Sunday, April 21, 2024
Friday, April 12, 2024
Kurt
Kurt morreu há trinta anos. Tinha eu onze e lembro-me bem de ver anunciada a sua morte na televisão, apesar de não saber bem quem ele era. Antes de ser Nirvana na música, fui Nirvana nas calças e nas camisas e sobretudo no desapego doce que tinha das coisas. Fui Nirvana no meu estado meio andrajoso de ser adolescente. Tinha colegas, já nessa altura, que ouviam Nirvana. Eu não ouvia. Vivia noutro planeta, mais estreito e escuro. E por isso mesmo, talvez já nessa altura só conseguisse vestir Nirvana. Mais tarde, já perto dos vinte, ouvi uma música chamada “Dumb”, cantada pelo Kurt. A versão unplugged, a que mais gosto, cantada nesse concerto mágico - por alguém que está prestes a morrer e sabe- diz que ele é parvo, tão parvo, e se calhar é por isso mesmo que é feliz. Diz que ele não é como eles, os outros. Que a sua luz continua quando o sol acaba, e que ele se diverte mesmo quando o dia já acabou. Uma estranha e parva forma de ser diferente e feliz. Ao ouvir estas palavras e uma melodia que me acompanha até hoje, finalmente o fato de Nirvana serviu-me por inteiro e pude abraçar o Kurt da música. A música era o que faltava. A música é o que falta sempre. Kurt Cobain para mim é honestidade. O descanso eterno de sermos quem somos, a pele mais virgem com que posso ambicionar morrer.
Thursday, April 11, 2024
Calor de Primavera
Veio o calor de Primavera esta semana. E com ele a minha vontade de ouvir Doors, andar descalça e voltar a Paris para dançar as valsas da Amélie na rua.
Friday, April 05, 2024
A falta que me fazes
Fazes-me tanta falta, tanta, e há tanto tempo
Que deixei de perceber a falta que me fazes.
Sei, porque me lembro do dia antes do passado começar,
Em que faltaste e eu dei pela tua falta.
contigo. Já não sei o que é sentir a tua falta.
E essa é a falta mais triste que me fazes.